70 dias para 30 anos

Respingos de uma vida que a beira dos 30 foi atirada ao ventilador.

26 [Faisca/Espoleta]

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Minha mãe costuma dizer que quando a gente ri demais num dia, chora no outro. Assim como deixar o chinelo de ponta cabeça e cortar a unha depois que o sol se foi, esse é um dos MUITOS medos metafísicos que carrego. Olha, nem mesmo a internet tem espaço para minhas culpas católicas e quiçá minhas neuroses. O fato é que desde então, tive muito receio de dias que começam felizes. Hoje, por exemplo, acordei com uma satisfação. Alegria. Estava evitando escrever e admitir isso. Mas olha, até estou ouvindo Mika.

Estúpida, dirão os aprofundados. Mas fiquei extremamente satisfeita em saber que o Lucas finalmente assistiu a um episódio do House. Isso, meus caros, é deveras relevante. Os dois se parecem demais. Tanto no [horrível] humor e na antipatia, quanto fisicamente. Mas moramos numa microcidade do interior e as pessoas não conhecem essas coisas. Raramente rola convergência. De um monte de coisas. Mais simples até. Das mais complexas, nem rola um papinho de leve. Isso foi uma coisa que me frustrou demais. Hoje, nem tanto. Mas também não sei adjetivar com precisão.

Sou viciada em séries, principalmente as franquias CSI, The Closer e NCIS. House comanda. Mas tem uma que amo demasiadamente e que poucos se lembram. Louco por Você (Mad About You). Com a Helen Hunt e um cara que eu não lembro o nome. Passava na Band. De tarde. Parava meu mundo para assistir. Nunca lançaram as temporadas por aqui. Mas tem um box, que nunca comprei e provavelmente não irá acontecer, com os melhores episódios. Cobiço. Mas não forte, apenas pontualmente. Claro, Seinfield é Deus. Apenas para pontuar essa consciência. Onírico mesmo seria uma maratona Mad. Adorava aquelas coisas de casais neuróticos. Genial.

Adendo 1: Adoro cantores gays que fazem música para as big girls. A minha mãe diria que não sou uma. Big girls é para as altas, minha filha. Não para as gordas. Meu padrasto diria que gorda é quem tem quadril e peito grande. Meu pai, nem diria nada. Talvez desse um cheque e duas receitas azuis. Anfetamina e calmantes. Engraçado é que com toda escrotice anexa, minha avó foi a única pessoa que me disse o clichê “do jeito que você é” com a sinceridade terna que só as avós são capazes.

Escrito por Fabrina Martinez, com F e Z no final

Novembro 13, 2008 às 1:09 pm

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